Crise e crises

A crise na opinião de Meinhard Miegel:

 “Aquilo que estamos a viver nestes anos é a consequência compreensível de um longo desenvolvimento. Portamo-nos como se fosse quase o fim do mundo, como se uma determinada ordem de coisas tivesse chegado ao fim. Não há aqui nada do qual possamos dizer que era imprevisível; o que deveríamos dizer é que há dez, quinze, talvez mesmo vinte anos, vínhamos a agir politica e também economicamente de tal maneira que só podia levar a uma crise.

 Não é a primeira crise. Nos últimos dez anos já tivemos para aí oito crises de calibre diferente. Já a crise no início deste decénio – a crise da IT – teve efeitos desvastadores. Vamos assistir a estas crises cada vez com mais frequência, o         que não significa que sejam momentos de viragem, como a palavra crise quer dizer, mas simplesmente o resultado de um determinado desenvolvimento.” Aqui.

 Prof. Dr. Meinhard Miegel é jurista, sociólogo e jornalista e é além disso presidente da Fundação Renovação Cultural – Pensar o Futuro (Alemanha).

A ideia de trabalho produtivo

trabalho produtivo

trabalho produtivo

„Quem não trabalha não come“, é uma frase da Bíblia atribuida a S. Paulo que continua a marcar hoje a ética dos nossos dias. Existe, no entanto, um conjunto de circunstâncias de fácil constatação, que contradiz esta norma. Uma parte nada pequena da nossa sociedade não se dedica a um trabalho produtivo na sua percepção tradicional e também ‘vive’. Em todos os tempos pessoas que não trabalharam de uma forma directamente ‘produtiva’, sempre tiveram que comer.

A nossa ideia de trabalho produtivo é proveniente no essencial do trabalho industrial e foi ainda por cima marcada pelos debates em torno do marxismo. Na sua base está a concepção tacanha de uma trabalho primariamente manual, levado a cabo por homens no quadro da produção industrial.

A nossa mentalidade continua a ser extremamente condicionada pela sociedade industrial. Das nove às cinco, num determinado posto de trabalho, este relativamente regulado, quase toda a vida: Estas as normas típicas da sociedade industrial. ©

Os guetos dos ricos na Ucrânia

O fosso entre os rendimentos e o bem-estar dos ricos e dos pobres alarga-se de dia para dia. A crise económica veio não só aumentar como arrancar o resto do véu que ainda cobria esse fosso. Ele é hoje evidente não só entre o hemisfério norte e o hemisfério sul; nas sociedades do hemisfério norte começa a assumir dimensões  verdadeiramente dramáticas.

Na Ucrânia pode-se ver como os ricos vivem hoje em autênticos guetos. “Aldeias inteiras são vedadas, um serviço de segurança é lá posto de plantão e no seu interior vivem os ricos como se estivessem noutro país, com supermercados superlotados. Cá fora os outros membros da sociedade vivem em parte como há quinhentos anos atrás. Este enorme desnível no desenvolvimento é um problema muito grave. Que o tema da emigração económica se apresente como uma grande problemática não é de admirar.” (Manfred Füllsack, sociólogo, professor na Universidade de Viena)

Uma desilusão!

Em tempos andou preocupada em ser feliz. Quando a voltei a ver perguntei-lhe como ia o negócio da felicidade.

- Já experimentaste ser feliz? Só te digo: Um desastre, uma desilusão!

O que é isso da felicidade?

Todos nós queremos ser felizes; já agora, o que é isso, da felicidade?

Tenho que fazer alguma coisa para a conhecer ou esperar que alguém ma sirva de mão beijada?

Felicidade

Eu bem posso desejar que alguém seja feliz, mas feliz só pode ser cada um à sua maneira. Cabe a cada um procurar a sua felicidade da maneira que melhor entender. Quando desejo a felicidade a alguém não lhe posso prescrever o que ele tem que fazer e o caminho que deve seguir para lá chegar, à sua felicidade.

Cerveja para a passagem de poderes

A cerimónia de transmissão da Presidência da União Europeia da República Checa para a Suécia foi realizada simbolicamente no sábado passado, em barcos de remos no rio Moldava, no centro de Praga. O ministro da República Checa para os assuntos europeus, Stefan Füle, entregou um pequeno barril de cerveja à delegação da embaixada sueca.

 A cerimónia esteve em vias de não se realizar devido a turistas curiosos que, noutros barcos de remos, tentavam a todo o custo fazer fotografias do acontecimento. A Presidência Checa achou o barril de cerveja o presente ideal para a transmissão simbólica dos poderes. A República Checa é por habitante o maior consumidor de cerveja do mundo.

Suécia na Presidência da Europa

A Suécia assume hoje, Primeiro de Julho e por seis meses, a presidência do Conselho Europeu. O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, apontou como prioridades fundamentais da sua presidência a política de emprego na Europa, a cimeira climática a realizar em Dezembro em Copenhaga assim como a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.

Estamos a nadar em dinheiro

O Banco Central Europeu (BCE) introduziu no mercado financeiro 440 mil milhões de euros, a uma taxa de juro de um por cento. Mesmo assim as empresas continuam a queixar-se que os bancos não lhes emprestam  dinheiro. Durante um ano os institutos financeiros europeus podem pedir emprestado ao BCE a quantia de dinheiro que quiserem.

1121 bancos da zona euro aceitaram a oferta tendo sido distribuidos deste modo 442, 241 mil milhões de euros. Segundo os cálculos de Goldman Sachs a quantia corresponde a 1300 euros por cada cidadão da zona euro. Motivo para um agente financeiro ter declarado: “Estamos a nadar em dinheiro.”

Capar mosquitos com Kalashnikov

Na linha do que fez meia Europa, o Nobel português da Literatura  criticou com grande veemência os hábitos e costumes de Berlusconi. Jornais e revistas europeus de renome registaram essa crítica pertinente.
Um comentarista português também. Aqui. Assim:

  •  “Não se passa a vida a venerar Estaline e a militar no PCP em vão.”
  • “Subsidiária dos mandamentos soviéticos, a filial caseira aplicou aos respectivos fiéis um código de conduta “familiar” profundamente conservador.”
  • “liberdades sexuais dos anos sessenta, que contaminaram a pureza dos camaradas jovens.”
  • “ele dedica à “decadência burguesa” o horror das almas castas.”
  • “O sermão do Nobel em nada se distingue da ira “regeneradora” de evangélicos cristãos e mullahs islâmicos, na medida em que exemplifica um padrão de pensamento totalitário e relembra de que modo os beatos se apropriaram da dimensão religiosa do marxismo.”

E para capar mosquitos não há nada como uma kalashnikov!